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Capa 11/03/2018 Edição 453

PÓDIO DA IGUALDADE
   

Em universo historicamente masculino, a Capitã da Força Aérea Brasileira, Carla Borges, 34, se destaca como a primeira mulher a pilotar um avião presidencial no Brasil. Ela assumiu o comando da aeronave presidencial em 2016, quando completou 13 anos de habilitação para pilotar aviões. Ela é também a primeira mulher a chegar ao seleto grupo da aviação de caça. Desde 2016, Carla Borges conduz o avião presidencial nas viagens do presidente Michel Temer. Ela foi muito festejada na celebração do Dia Internacional da Mulher, esta semana, mas o IBGE divulgou um estudo mostrando que o Brasil tem um caminho longo a percorrer para que as mulheres tenham seus direitos respeitados. Mesmo em número maior entre as pessoas com ensino superior completo no Brasil, as mulheres ainda enfrentam desigualdade no mercado de trabalho em relação aos homens. Essa disparidade se manifesta em outras áreas, além do item educação. É o que comprova estudo IBGE, divulgado nesta semana. Da população de 25 anos ou mais de idade com ensino superior completo em 2016, as mulheres somam 23,5%, e os homens, 20,7%. Em relação ao rendimento habitual médio mensal de todos os trabalhos e razão de rendimentos, por sexo, entre 2012 e 2016, as mulheres ganham, em média, 75% do que os homens ganham. Isso significa que as mulheres têm rendimento habitual médio mensal de todos os trabalhos no valor de R$ 1.764, enquanto os homens, R$ 2.306.. Economista Betina Fresneda, analista do IBGE, explica que os resultados educacionais não se refletem necessariamente no mercado de trabalho. Segundo ela, as mulheres, por terem nível de instrução maior do que os homens, não deveriam

ganhar o mesmo salário, em média, deles. "Deveriam estar ganhando mais, porque a principal variável que explica o salário é educação. Você não só não tem um salário médio por hora maior, como na verdade essa proporção é menor." Também a taxa de frequência escolar líquida ajustada no ensino médio em 2016 exibe maior percentual de mulheres (73,5%) que de homens (63,2%). A média Brasil atingiu 68,2%. Estudos mostram que o ambiente escolar é mais adequado ao tipo de criação dado às meninas, em que se premia a disciplina, por exemplo, disse a analista. "Tem mais a ver então com características da criação das meninas. Outros estudos mostram que, a partir do ensino médio, por exemplo, os homens começam a conciliar mais estudo e trabalho do que as mulheres. Diversos fatores estão associados a papéis de gênero." Em termos de rendimentos, vida pública e tomada de decisão, a mulher brasileira ainda se encontra em patamar inferior ao do homem Quanto à representatividade, de acordo com o IBGE, o Brasil está mal posicionado no ranking de países que informaram à organização Inter-Parliamentary Union (IPU) o percentual de cadeiras em suas câmaras de deputados ocupadas por mulheres em exercício. Em dezembro de 2017, o Brasil ocupou a 152ª posição entre 190 países, com 10,5%, atrás de nações com histórico de violência contra a mulher, inclusive. Na comparação mundial, o Brasil mostra o pior resultado entre os países sul-americanos. Além disso, no Brasil há ainda uma participação feminina reduzida nos cargos

Foto: Pilota Carla Borges


ministeriais. Em 13 de dezembro do ano passado, dos 28 cargos de ministro, apenas dois eram ocupados por mulheres.Segundo o IBGE, as mulheres estão em desigualdade com os homens no que se refere aos cargos gerenciais, tanto no setor público quanto no privado. Considerando cargos gerenciais por sexo, segundo os grupos de idade e cor ou raça, 62,2% dos homens ocupavam cargos gerenciais, em 2016, contra 37,8% das mulheres. Nas faixas etárias mais jovens, entre 16 a 29 anos de idade, em especial, as mulheres apresentam melhor desempenho: 43,4% contra 56,6% de homens. Mais: A participação de mulheres no efetivo das polícias civil e militar no Brasil é um indicador importante para avaliar a representatividade da mulher e também está associada à política nacional contra a violência contra a mulher. A lei prevê que a mulher vítima de violência seja atendida, preferencialmente, por policiais do sexo feminino. Mas ainda é pequena a participação feminina nas duas corporações. Em 31 de dezembro de 2013, as mulheres representavam 13,4% do efetivo ativo das polícias militares e civis no país, de acordo com dados da Pesquisa de Informações Básicas Estaduais (Estadic).No total Brasil, a proporção de mulheres no efetivo das polícias civis dos estados brasileiros atingia 26,4%, em dezembro de 2013, enquanto a participação nas polícias militares era de 9,8%. Em resumo: as mulheres no Brasil, infelizmente ainda estão longe do pódio da igualdade com os homens, mas estão avançando e, com inteligência, competência, eficiência, garra e coragem, certamente chegarão lá, como chegou a pilota Carla Borges, hoje orgulho da Força Aérea Brasileira. Parabéns às mulheres do Juazeiro!

Jota Alcides é jornalista e escritor, autor de "Explosão das Massas"




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