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JUAZEIRO DO NORTE - CE
GUIAJUANORTE
História
Capa  26/07/2015    Edição 341

 
Padre Cícero transformou pobre arraial
na segunda maior cidade do Ceará
 
  Principal cidade do Vale do Cariri, segunda maior do Ceará e uma das mais importantes do Nordeste brasileiro, Juazeiro do Norte tem sua história profundamente vinculada ao seu fundador e maior benfeitor, Padre Cícero Romão Batista. Entre os dois há simbiose indestrutível e, surpreendentemente, cada vez mais forte. Juazeiro é do Padre Cícero. Padre Cícero é do Juazeiro. Por isso, é conhecida no Brasil e no exterior como "Cidade do Padre Cícero". Ordenado sacerdote em 30 de novembro de 1870, em Fortaleza, Padre Cícero chegou ao Juazeiro ao final de dezembro de 1871, convidado pelos moradores, para celebrar a Missa do Natal. Quatro meses depois, em abril de 1872, deixou o Crato, sua terra, onde morava, e se fixou, definitivamente, no Juazeiro, como capelão. Era, então, um pequeno lugarejo, de mais ou menos 30 casas, quase todas de taipa e cobertas de palha, apenas seis cobertas com telhas. Mais ou menos, uns 100 habitantes. Alguns frondosos pés de juazeiro davam sombra e descanso para viajantes do Piauí e Ceará de passagem pelo Cariri na direção da Paraíba, de Pernambuco e das Alagoas. Como referência, o povoado tinha uma capela dedicada à Nossa Senhora das Dores, construída pelo primeiro capelão, padre Pedro Ribeiro de Carvalho. Mas, ponto de passagem de tropeiros e andarilhos, aos poucos, Juazeiro foi recebendo e abrigando desordeiros que ali criaram um ambiente de promiscuidade. Depois de um sonho, em que Jesus Cristo lhe apareceu pedindo para "cuidar dessa gente", Padre Cícero assumiu o desafio de transformar e civilizar o Juazeiro. Começou seu apostolado ensinando o povo a rezar o Rosário de Nossa Senhora das Dores e estimulando a adoração ao Sagrado Coração de Jesus. Deu um rumo ao povoado sob lema beneditino: oração e trabalho. Para isso estabeleceu: "Cada casa uma oficina, cada oficina

Padre Cícero

um oratório". Quando Juazeiro já tinha uns 500 habitantes, em 6 de março de 1898, primeira sexta-feira da quaresma, aconteceu o fenômeno que mudou para sempre a história do Padre Cícero e do Juazeiro: na missa das 5 horas da manhã, quando deu a comunhão à beata Maria de Araújo, a hóstia se transformou em sangue na boca dela. Mistério sem resposta, nem da medicina, virou um fato milagroso que se espalhou rapidamente por todo o Nordeste. Juazeiro se tornou centro de peregrinações e Padre Cícero passou a sofrer um verdadeiro martírio, massacrado por sua própria Igreja. Com inveja do prestígio e da popularidade do Padre Cícero, o arrogante dom Joaquim Vieira, segundo bispo do Ceará, começou a perseguí-lo. De tal modo, e tão inescrupulosamente, que rejeitou as provas do milagre assumidas pela primeira comissão de investigação, providenciou uma nova comissão que preparou um relatório encomendado negando o milagre e contra Padre Cícero. Mandou tudo ao Vaticano. Desde então, o capelão do Juazeiro não teve mais sossego. De ordens suspensas, em 1898 Padre Cícero foi até Roma. Recebeu bênção e autorização do papa Leão XIII para voltar a celebrar. E pediu ao Papa, devidamente argumentada e justificada, a criação da Diocese do Cariri, sediada no Juazeiro, já o maior aglomerado urbano do interior do Ceará. Mas, voltando ao Juazeiro, o autoritário dom Joaquim Vieira não cumpriu a determinação papal. Pelo contrário: manteve a suspensão doPadre Cícero e enviou documentos ao Vaticano solicitando a criação da

Diocese no Crato somente para contrariar, perturbar e atormentar ainda mais a vida do capelão do Juazeiro. Com apoio do dom Quintino de Oliveira, primeiro bispo do Crato, dom Joaquim Vieira desempenhou, de maneira violenta e implacável, o papel de principal algoz do Padre Cícero, vítima da intolerância, da arrogância, do autoritarismo, da injustiça e da inveja. Foi assim até a morte dele em 1934, quando 60 mil pessoas estiveram em seu enterro no Juazeiro. Como recompensa pela humilhação que lhe impôs a sua própria Igreja, o Nordeste passou a aclamá-lo como verdadeiro santo, padrinho e patriarca. Mais famoso e mais amado sacerdote brasileiro da Igreja Católica, é uma das personalidades mais biografadas do mundo, ocupando mais de 300 livros. Gratidão do povo em forma de concreto, sua estátua de 27 metros de altura erguida no ponto mais alto de Juazeiro do Norte é celebrada como a segunda maior do Brasil e terceira do mundo, depois do Cristo Redentor, no Rio de Janeiro, e da Estátua da Liberdade, em Nova Iorque. Seu verdadeiro milagre é absolutamente incontestável: transformou o pequeno, pobre, miserável e abandonado Juazeiro de 1872 na segunda maior cidade do Ceará, com quase 300 mil habitantes em 2008, maior centro comercial e industrial do Nordeste Central do Brasil e principal centro do catolicismo popular na América Latina, recebendo 2,5 milhões de visitantes ao ano. Por iniciativa do papa Bento XVI, que pretende anular a arbitrariedade do Bispado do Ceará e da Igreja contra o Padre Cícero no passado, corre no Vaticano processo para reabilitação dele, primeiro passo para sua posterior beatificação e possível canonização. Em 2001, Padre Cícero foi eleito, em votação popular, livre e democrática, o "Cearense do Século XX".  

COLUNÁRIO Menezes Barbosa Jota Alcides Daniel Walker Luiz Carlos Renato Casimiro Abraão Batista
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