| |
Mais
importante cidade do interior do Ceará, distante de Fortaleza 560
quilômetros, Juazeiro do Norte destaca-se também pela força do seu
futebol. Possui o melhor estádio do Cariri, batizado de Romeirão,
um dos maiores do interior do Nordeste, com capacidade para 25 mil
torcedores, superior à do Presidente Vargas, em Fortaleza, e igual
à do estádio dos Aflitos, no Recife, e dois clubes profissionais que
disputam a primeira divisão do futebol cearense: Icasa, fundado em
1963, e Guarani, fundado em 1941. Clubes profissionais desde 1973,
eles dividem a preferência dos quase 300 mil habitantes de Juazeiro
e de milhares de torcedores do Vale do Cariri, que lotam o Romeirão
em dias de clássico regional. Jogo inaugural do Romeirão foi em 1º
de maio de 1970 reunindo as equipes do Fortaleza e do Cruzeiro, de
Belo Horizonte. Deu Cruzeiro: 3X0. Público recorde do Romeirão, em
seus quase 40 anos de existência, é de 24 mil torcedores num amistoso
entre o combinado local Icasa/Guarani e o Fluminense, do Rio de Janeiro,
que terminou empatado em dois gols. Foi também no Romeirão que, em
3 de junho de 1984, aconteceu um jogo histórico no calendário nacional:
Corinthians 3 X 0 Vasco da Gama do |
Rio, na despedida do craque-doutor Sócrates do futebol brasileiro.
Embora os dois clubes profissionais do Juazeiro do Norte, Icasa
e Guarani, tenham quase 50 anos de história com intensa e contagiante
rivalidade, foi a partir do Romeirão, construído em 1969 pelo então
prefeito Mauro Sampaio, que o futebol da Cidade do Padre Cícero
passou a se projetar no cenário estadual como força capaz de enfrentar
e até vencer os dois mais tradicionais times da capital, Fortaleza
e Ceará. Principalmente o Icasa, já quatro vezes vice-campeão do
Estado. Fundado em 1º de maio de 1963, o clube de Juazeiro do Norte
ganhou o nome de Icasa, derivado das iniciais da Indústria e Comércio
de Algodão S/A, do empresário Feijó de Sá, fundador do clube. Seu
primeiro presidente foi o industrial Teodoro Germano, conhecido
como Doro Germano. Suas cores são o verde e o branco, predominando
o verde, e por isso chamado de "Verdão do Cariri". Em 1998, por
causa de uma ação judicial, o Icasa passou a se chamar Juazeiro
Empreendimentos, mas sua imensa torcida não gostou, nem apoiou a
mudança. Em 2001, resolvido o problema judicial - indenização em
R$ 30 mil de um atleta do passado - o clube voltou a ter seu
|
nome original. Antes de chegar à elite do futebol cearense, depois
de passar pela segunda divisão, o Icasa foi oito vezes seguidas campeão
de Juazeiro do Norte: 1965, 1966, 1967, 1968, 1969, 1979, 1971 e 1972.
Até 1970, o campeonato da cidade era disputado num acanhado estádio
da LDJ-Liga Desportiva Juazeirense. Mas, mesmo nesse modesto estádio,
Juazeiro já ensaiava sua projeção no futebol, trazendo clubes importantes,
como o Santa Cruz, do Recife, para amistosos que atraiam torcedores
de todo o Cariri. Depois que se sagrou campeão estadual da segunda
divisão em 2003, o "Verdão do Cariri" retornou à elite do futebol
cearense e, desde então, tem sido destaque apresentando desempenho
competitivo ao lado dos maiores clubes do Ceará. Já poderia ter sido
campeão ou até bicampeão estadual, mas não tem sido favorecido pela
Federação Cearense de Futebol, que sempre estabelece regras para finais
de campeonato privilegiando os clubes de Fortaleza. Mesmo assim, o
Icasa foi vice-campeão estadual em 1999, 2005, 2007 e 2008, graças
ao trabalho incansável do seu diretor executivo, empresário Kleber
Lavor, um dos responsáveis pela ascensão do futebol de Juazeiro. Até
final de 2009 deve ficar pronto o seu moderno Centro de Treinamento,
ocupando área de 16.400 metros quadrados em área nobre de Juazeiro.
Além disso,o Icasa já tem uma pequena história de participações na
série C do Campeonato Brasileiro e outras competições nacionais: Taça
de Bronze em 1981, Taça de Prata em 1984, Série C em 1995, Série C
em 2005, Série C e Copa do Brasil em 2006, Série C em 2007 e Série
C e Copa do Brasil em 2008. Com essa performance, o clube de Juazeiro
do Norte disputa o campeonato estadual, de igual para igual, com os
dois maiores clubes da capital, Fortaleza e Ceará, e se firma entre
as maiores forças do futebol cearense. Uma força quase sempre imbatível
quando a disputa é no Romeirão, com o apoio de sua apaixonada, fiel
e vibrante torcida, a fúria icasiana. Falta pouco para o povo de Juazeiro
festejar o primeiro título de campeão do futebol do Ceará. Muito pouco. |
|