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JUAZEIRO DO NORTE - CE
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Cordelismo
Capa  26/07/2015   Edição 341

 
Cordel na Sala de Aula, de Arievaldo Viana
 
 
Venha conhecer a capital nacional da
xilogravura e da literatura de cordel
 
Depois de ouvir As Profecias do Padim Ciço, participar do Encontro de Cacão de Fogo com João Grilo e assistir O Casamento e o Divórcio da Lagartixa, Luiz Gonzaga - Rei do Baião, montado em seu alazão, Cavalo que defecava dinheiro, foi ao Grande Debate de Lampião com São Pedro, mas, no caminho, deu-se com o Pavão Misterioso e o Boi Misterioso. Então, viu a Discussão do Macumbeiro e o Crente, o Romance da Moça que Namorou um Pai-de-Chiqueiro, Maria da Pavirada, A Mulher Roubada e Os Novos Mamadores da Negra de um Peito só. Até que, nessa confusão, apareceu o Cachorro dos Mortos com A Chegada de Lampião no Inferno... Eis o cordel, com toda a sua força criativa e sua sensibilidade traduzindo manifestações da alma popular do Nordeste brasileiro. Sensações do povo, imaginário do povo, reações do povo, estórias do povo, sentimentos do povo, sutilezas do povo, símbolos do povo e estilo do povo. Nada expressa mais o povo do que o cordel, literatura de estética própria comprometida com as raízes nacionais do Brasil, permanente e inesgotável fonte de inspiração da criativa e surpreendente xilogravura nordestina, a maior expressão gráfica da arte popular brasileira. Com muito atraso em relação à América Latina, sobretudo México e Argentina, o Brasil passou a reconhecer a riqueza, a beleza e a grandeza da Literatura de Cordel em criatividade, sensibilidade e versatilidade, alta expressão da cultura popular enriquecedora da cultura geral da Nação. De origem medieval, uma das tradicionais heranças dos portugueses, disseminada no Brasil, especialmente a partir do século XIX, o cordel ficou sob desprezo secular. Preconceituosamente. Com a chegada do século XX, iniciou-se um processo de transformação e revitalização. Deixou de ser apenas uma ,atração para os pobres iletrados nas feiras livres e mercados do

Nordeste e começou a interessar aos estudiosos, pesquisadores, cientistas sociais, escritores e poetas. Após encantar grandes intelectuais brasileiroscomo Vila-Lobos, Guimarães Rosa, Câmara Cascudo, João Cabral de Melo Neto, Orígenes Lessa, Mário de Andrade, Drummond de Andrade, Mário Souto Maior, Ariano Suassuna e Dias Gomes, despertou a atenção do meio acadêmico e, aos poucos, foi ganhando salas e ambientes da Universidade. Ao ponto de a Lira Nordestina, principal gráfica de literatura de cordel do Nordeste, em Juazeiro do Norte(Ce), maior centro de literatura popular do Brasil, ser incorporada pela Universidade Regional do Cariri. Demorou muito, mas, enfim, o Cordel conquistou respeito e aplauso, junto às elites intelectuais e às classes mais favorecidas, urbanizadas, após duras lutas de sobrevivência de muitos dos seus mais autênticos e maiores representantes: Leandro de Barros, Patativa do Assaré, Zé Camelo, Manoel Caboclo, Zé Limeira, Martins de Athayde, J. Borges, Zé Bernardo, Stênio Dinis, Zé Vicente, Expedito Silva, Raimundo Santa Helena, Zé Honório, Jerônimo Soares, Minervino Silva, Zé Gonçalves, Pedro Bandeira, Abraão Batista, Severino do Horto, Arlindo Marques, Zé Lourenço, Mestre Azulão, Zé Soares, Erivaldo Ferreira, Zé Cavalcanti, Ciro Fernandes e tantos outros mestres dessa cultura popular. Com eles, o cordel tornou-se uma estética de resistência à colonização e à dominação da indústria cultural. Nesse mundo da literatura popular brasileira, destaca-se Juazeiro do Norte, onde, em 2007, foi realizada a exposição comemorativa dos 100 anos de xilogravura na literatura de cordel, com acervo e curadoria do colecionador, pesquisador e jornalista baiano Jeová Franklin, depois apresentada em Santiago do Chile. Composta de 50 gravuras dos mais













conceituados artistas, 60 cordéis históricos, alguns da tradicional gráfica juazeirense São Francisco, maior folhetaria de cordéis do Brasil, e fotografias de xilogravadores famosos, como Mestre Noza, que tornou o cordel de Juazeiro do Norte famoso em todo o País e até na Europa. Sem dúvida alguma, o cordel é a maior expressão literária da cultura popular no Brasil.

Mais informações:
Sesc-Cordel. Rua da Matriz 227 Centro Juazeiro do Norte - CE
Cep: 63.010-040
(88) 3512-3355
 
 

COLUNÁRIO Menezes Barbosa Jota Alcides Fábio Tavares Luiz Carlos Renato Casimiro Abraão Batista
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