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Depois
de ouvir As Profecias do Padim Ciço, participar do Encontro de Cacão
de Fogo com João Grilo e assistir O Casamento e o Divórcio da Lagartixa,
Luiz Gonzaga - Rei do Baião, montado em seu alazão, Cavalo que defecava
dinheiro, foi ao Grande Debate de Lampião com São Pedro, mas, no caminho,
deu-se com o Pavão Misterioso e o Boi Misterioso. Então, viu a Discussão
do Macumbeiro e o Crente, o Romance da Moça que Namorou um Pai-de-Chiqueiro,
Maria da Pavirada, A Mulher Roubada e Os Novos Mamadores da Negra
de um Peito só. Até que, nessa confusão, apareceu o Cachorro dos Mortos
com A Chegada de Lampião no Inferno... Eis o cordel, com toda a sua
força criativa e sua sensibilidade traduzindo manifestações da alma
popular do Nordeste brasileiro. Sensações do povo, imaginário do povo,
reações do povo, estórias do povo, sentimentos do povo, sutilezas
do povo, símbolos do povo e estilo do povo. Nada expressa mais o povo
do que o cordel, literatura de estética própria comprometida com as
raízes nacionais do Brasil, permanente e inesgotável fonte de inspiração
da criativa e surpreendente xilogravura nordestina, a maior expressão
gráfica da arte popular brasileira. Com muito atraso em relação à
América Latina, sobretudo México e Argentina, o Brasil passou a reconhecer
a riqueza, a beleza e a grandeza da Literatura de Cordel em criatividade,
sensibilidade e versatilidade, alta expressão da cultura popular enriquecedora
da cultura geral da Nação. De origem medieval, uma das tradicionais
heranças dos portugueses, disseminada no Brasil, especialmente a partir
do século XIX, o cordel ficou sob desprezo secular. Preconceituosamente.
Com a chegada do século XX, iniciou-se um processo de transformação
e revitalização. Deixou de ser apenas uma ,atração para os pobres
iletrados nas feiras livres e mercados do |
Nordeste e começou a interessar aos estudiosos, pesquisadores, cientistas
sociais, escritores e poetas. Após encantar grandes intelectuais
brasileiroscomo Vila-Lobos, Guimarães Rosa, Câmara Cascudo, João
Cabral de Melo Neto, Orígenes Lessa, Mário de Andrade, Drummond
de Andrade, Mário Souto Maior, Ariano Suassuna e Dias Gomes, despertou
a atenção do meio acadêmico e, aos poucos, foi ganhando salas e
ambientes da Universidade. Ao ponto de a Lira Nordestina, principal
gráfica de literatura de cordel do Nordeste, em Juazeiro do Norte(Ce),
maior centro de literatura popular do Brasil, ser incorporada pela
Universidade Regional do Cariri. Demorou muito, mas, enfim, o Cordel
conquistou respeito e aplauso, junto às elites intelectuais e às
classes mais favorecidas, urbanizadas, após duras lutas de sobrevivência
de muitos dos seus mais autênticos e maiores representantes:
Leandro de Barros, Patativa do Assaré, Zé Camelo, Manoel Caboclo,
Zé Limeira, Martins de Athayde, J. Borges, Zé Bernardo, Stênio Dinis,
Zé Vicente, Expedito Silva, Raimundo Santa Helena, Zé Honório, Jerônimo
Soares, Minervino Silva, Zé Gonçalves, Pedro Bandeira, Abraão Batista,
Severino do Horto, Arlindo Marques, Zé Lourenço, Mestre Azulão,
Zé Soares, Erivaldo Ferreira, Zé Cavalcanti, Ciro Fernandes e tantos
outros mestres dessa cultura popular. Com eles, o cordel tornou-se
uma estética de resistência à colonização e à dominação da indústria
cultural. Nesse mundo da literatura popular brasileira, destaca-se
Juazeiro do Norte, onde, em 2007, foi realizada a exposição comemorativa
dos 100 anos de xilogravura na literatura de cordel, com acervo
e curadoria do colecionador, pesquisador e jornalista baiano Jeová
Franklin, depois apresentada em Santiago do Chile. Composta de 50
gravuras dos mais
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conceituados artistas, 60 cordéis históricos, alguns da tradicional
gráfica juazeirense São Francisco, maior folhetaria de cordéis do
Brasil, e fotografias de xilogravadores famosos, como Mestre Noza,
que tornou o cordel de Juazeiro do Norte famoso em todo o País
e até na Europa. Sem dúvida alguma, o cordel é a maior expressão literária
da cultura popular no Brasil.
Mais informações:
Sesc-Cordel. Rua da Matriz 227 Centro Juazeiro do Norte - CE
Cep: 63.010-040
(88) 3512-3355 |
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