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obra de romanização da Igreja Católica no Ceará,
no norte do Estado e principalmente em Fortaleza, era um êxito
esplêndido da ação apostólica de Dom Luís
Antonio dos Santos: havia concluído a construção
do Seminário Episcopal e o seu funcionamento era o empreendimento
mais soberbo, que estava modificando a vida social e cultural do Ceará,
bem como o Colégio da Imaculada, dirigido pelas filhas de São
Vicente de Paula, para educação feminina de Fortaleza.Suas
preocupações imediatas voltaram-se para o sul do Estado,
a região mais rica, dinâmica e inquieta, com seu passado
de lutas revolucionárias e glórias políticas, com
o seu povo indômito e generoso. Promovendo grandes modificações
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na vida sócio-cultural do Cariri estava a figura gigantesca
do Padre Mestre Ibiapina, que a convite do vigário de Missão
Velha, padre Felix Arnaud Formiga, em 1864, construiu com incrível
rapidez a primeira Casa de Caridade da região, depois a de
Barbalha, logo em seguida a de Milagres e por fim a pérola
de sua ação missionária a Casa de Caridade do
Crato, em 1868. A ação missionária do Padre Mestre
Ibiapina consolidava-se com o apoio generoso mediante contribuições
e doações das famílias tradicionais da região
e do trabalho coletivo - adjutório - do povo simples. José
Marrocos fundou um jornal A Voz da Religião para divulgar a
transformação do meio social impulsionada pelos benefícios
nascidos com as Casas de Caridade. Veio juntar-se a essa grande obra
a colaboração do padre Ignácio de Sousa Rolim,
fundador do Colégio de | 
Cajazeiras, na Paraíba,
onde estudaram o padre Cícero, o Cardeal Arcoverde, o cônego
Antonio Arcoverde e muitas outras personalidades ilustres do clero e
do laicato brasileiro. Além de aulas de grego ede botânica,
o padre Ignácio de Sousa Rolim iniciava providências para
produzir cultivares de trigo e outras técnicas para melhorar
a produção agrícola da região. Enquanto
florescia as obras do Padre Mestre Ibiapina, a matriz de N.S. da Penha
do Crato, "ainda |
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estava inacabada e com risco de desabamento" (Dom Luís
Antonio dos Santos, in Irinue Pinheiro, "Efemérides
do Cariri). Dom Luís Antonio dos Santos, em visita pastoral
ao sul do Estado do Ceará, resolveu expulsar da Região
o Padre Mestre Ibiapina, assumindo a posse e propriedade de
todos os bens das Casas de Caridade de Missão Velha,
de Milagres, de Barbalha e do Crato. Determinou, também,
o senhor bispo a retirada do padre Ignácio de Sousa Rolim.
Não queria Dom Luís Antonio dos Santos "que
as atividades de Ibiapina viessem desviar energia, recursos
e boa vontade dos cidadãos eminentes do Vale" (Ralph
Della Cava, in Milagre em Joaseiro) das obras episcopais. A
Câmara Municipal do Crato aprovou por
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unanimidade uma "resolução" lamentando
a saída dos
missionários - Padre Mestre Ibiapina e Padre Ignácio
de Sousa Rolim - que só fizeram o bem ao povo pobre da
região. Uma imensa multidão, chorando de emoção,
se despediu de seus benfeitores. O Padre Mestre Ibiapina em
carta para as beatas e internas das Casas de Caridade afirmou
"que é chorando que parto deixando beatas, internas,
o povo e a região que tanto amo" José Marrocos
manteve-se na região com o seu colégio e sua prolífica
produção jornalística, escrevendo em diversos
jornais do país, lutando com bravura e coragem, mas sem
soberba, defendendo os pobres esmagados pelo silêncio
da História e pela prepotência das autoridades.
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