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JUAZEIRO DO NORTE - CE
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Jornal de Opinião da Metrópole do Cariri
Capa      05/09/2010    Edição 098

GLÓRIA DA HISTÓRIA
A obra de romanização da Igreja Católica no Ceará, no norte do Estado e principalmente em Fortaleza, era um êxito esplêndido da ação apostólica de Dom Luís Antonio dos Santos: havia concluído a construção do Seminário Episcopal e o seu funcionamento era o empreendimento mais soberbo, que estava modificando a vida social e cultural do Ceará, bem como o Colégio da Imaculada, dirigido pelas filhas de São Vicente de Paula, para educação feminina de Fortaleza.Suas preocupações imediatas voltaram-se para o sul do Estado, a região mais rica, dinâmica e inquieta, com seu passado de lutas revolucionárias e glórias políticas, com o seu povo indômito e generoso. Promovendo grandes modificações

na vida sócio-cultural do Cariri estava a figura gigantesca do Padre Mestre Ibiapina, que a convite do vigário de Missão Velha, padre Felix Arnaud Formiga, em 1864, construiu com incrível rapidez a primeira Casa de Caridade da região, depois a de Barbalha, logo em seguida a de Milagres e por fim a pérola de sua ação missionária a Casa de Caridade do Crato, em 1868. A ação missionária do Padre Mestre Ibiapina consolidava-se com o apoio generoso mediante contribuições e doações das famílias tradicionais da região e do trabalho coletivo - adjutório - do povo simples. José Marrocos fundou um jornal A Voz da Religião para divulgar a transformação do meio social impulsionada pelos benefícios nascidos com as Casas de Caridade. Veio juntar-se a essa grande obra a colaboração do padre Ignácio de Sousa Rolim, fundador do Colégio de

Foto : Dom Luiz Antonio, primeiro bispo do Ceará
Cajazeiras, na Paraíba, onde estudaram o padre Cícero, o Cardeal Arcoverde, o cônego Antonio Arcoverde e muitas outras personalidades ilustres do clero e do laicato brasileiro. Além de aulas de grego ede botânica, o padre Ignácio de Sousa Rolim iniciava providências para produzir cultivares de trigo e outras técnicas para melhorar a produção agrícola da região. Enquanto florescia as obras do Padre Mestre Ibiapina, a matriz de N.S. da Penha do Crato, "ainda
estava inacabada e com risco de desabamento" (Dom Luís Antonio dos Santos, in Irinue Pinheiro, "Efemérides do Cariri). Dom Luís Antonio dos Santos, em visita pastoral ao sul do Estado do Ceará, resolveu expulsar da Região o Padre Mestre Ibiapina, assumindo a posse e propriedade de todos os bens das Casas de Caridade de Missão Velha, de Milagres, de Barbalha e do Crato. Determinou, também, o senhor bispo a retirada do padre Ignácio de Sousa Rolim. Não queria Dom Luís Antonio dos Santos "que as atividades de Ibiapina viessem desviar energia, recursos e boa vontade dos cidadãos eminentes do Vale" (Ralph Della Cava, in Milagre em Joaseiro) das obras episcopais. A Câmara Municipal do Crato aprovou por unanimidade uma "resolução" lamentando a saída dos missionários - Padre Mestre Ibiapina e Padre Ignácio de Sousa Rolim - que só fizeram o bem ao povo pobre da região. Uma imensa multidão, chorando de emoção, se despediu de seus benfeitores. O Padre Mestre Ibiapina em carta para as beatas e internas das Casas de Caridade afirmou "que é chorando que parto deixando beatas, internas, o povo e a região que tanto amo" José Marrocos manteve-se na região com o seu colégio e sua prolífica produção jornalística, escrevendo em diversos jornais do país, lutando com bravura e coragem, mas sem soberba, defendendo os pobres esmagados pelo silêncio da História e pela prepotência das autoridades.  


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