O primeiro jornal fast-news do Nordeste
JUAZEIRO DO NORTE - CE
JUANORTE
O Think Tank da Metrópole do Cariri
Capa    19/11/2017  Edição 443

O RÍTMO DA HISTÓRIA

Foi de fato muito emocionante o grande envolvimento generoso da sociedade de Juazeiro e de larga parcela da família Sobreira, com o apoio da Prefeitura Municipal de Juazeiro através da Secretaria de Cultura e, de modo todo especial, de toda a equipe técnica da Fundação Memorial Padre Cícero para promover as celebrações do Centenário de Ordenação Sacerdotal do Padre Azarias Sobreira. A programação inicial previa Missa Solene na Matriz de Nossa Senhora das Dores para rememorar que em 24vabril de 1917 o recém-ordenado sacerdote Azarias Sobreira havia cantado ali sua primeira missa. Aquela data tinha uma imensa carga emocional e de cunho histórico, porque no final de janeiro de 1894 o bispo do Ceará, Dom Joaquim José Vieira, determinou a interdição da então Capela de Nossa Senhora das Dores, para todo e qualquer ato religioso ou civil. A partir daquela data principia a escalada de sofrimento e martírio do Padre Cícero e com o agravante porque a quase totalidade do clero cearense que havia testemunhado e jurado a veracidade do "milagre", por pressão da burocracia eclesiástica optara por abjurar e renegar os "fatos miraculosos do Juazeiro."A História tem os seus caminhos fascinantes. Assim, a Capela de Nossa Senhora das Dores, lacrada pela interdição episcopal, logo após o batismo da criança Azarias Sobreira Lobo, em 1894, reabriu com festejos suas portas para acolher os fiéis do Juazeiro e todos os romeiros do Padre Cícero, no final de março de março 1917. Este ato realizou-se 23 anos depois e com um marco solene: a celebração solene da primeira missa e cantada pelo recém-ordenado sacerdote, afilhado do Padre Cícero: Padre Azarias

Sobreira.Depois de ordenado sacerdote, Padre Azarias Sobreira dedicou-se a organizar a estrutura administrativa da Diocese do Crato, então recentemente criada, além de preparar os procedimentos administrativos e pedagógicos para a reabertura do Seminário São José, mantido pela Diocese do Crato. Foi uma década de inteira dedicação ao seu diocesano e seu amigo pessoal, Dom Quintino, na estruturação da Diocese do Crato, organizando paróquia por paróquia, apesar das dificuldade de locomoção daquela época e do seu frágil estado de saúde.Desse período de sua vida sacerdotal, o Padre Azarias deixou registrado em páginas magistrais no livro "Dom Quintino: o Primeiro Bispo do Crato". Deixando os trabalhos no cabido episcopal do Crato, o Padre Azarias foi, em 1930, exercer sua missão sacerdotal como vigário titular de Milagres, num dos momentos mais atribulados da vida social e econômica do Estado do Ceará porque a seca de 1932 de traumáticas consequências levou a miséria para a maioria dos lares nordestinos. Como vigário de Milagres fez de tudo para minorar o sofrimento do seu povo. Apesar de sua timidez revestiu-se de coragem evangélica e foi bater às portas do Governo Ceará implorando o envio de assistência para salvar os retirantes atingidos pela seca. Padre Azarias fez muito mais do que isso: tomou empréstimo bancário, em seu nome pessoal e sob sua responsabilidade civil, para atender as mais prementes necessidades dos flagelados. Após a morte do seu padrinho de batismo o Padre Cícero, em julho de 1934, o Padre Azarias tomou duas decisões: deixar a região do Cariri, indo para o norte do Estado do Ceará, para
Foto: Sede da UFCA-Juazeiro

 

Cascavel, depois a Aracati e depois ainda para Fortaleza, onde sem o ônus e a responsabilidade de vigário titular ou de vigário-coadjutor poderia dedicar-se inteiramente ao estudo e a reflexão da história do movimento religioso popular de Juazeiro e da vida do Padre Cícero.Sua decisão fez surgir nos meios culturais, civis, eclesiásticos, do Ceará o primeiro sacerdote que desfraldava bandeira na defesa do Padre Cícero. Paralelamente, a opção de defesa do Padre Cícero, mas articulada a ela, o Padre Azarias com outros intelectuais cearenses fizeram do Instituto Histórico do Ceará um palco ou tribuna para se refletir a história do clero cearense e a sua contribuição para a História Cultural do Nordeste.O Padre Azarias Sobreira fez das páginas do jornal O Povo, de Fortaleza, o seu púlpito levando não só as autoridades eclesiásticas do Ceará , mas de todo o Brasil, a refletir sobre a trajetória de vida do Padre Cícero, que apesar de todas as calúnias, perseguições e infâmias, permaneceu fiel, humilde, obediente ao Santo Padre o Papa.Por anos a fio, o Ceará e o Brasil foi tomando conhecimento das reflexões do Padre Azarias sobre a história de Juazeiro, dos fatos maravilhosos ocorridos com a Beata Maria de Araújo, de todos os personagens que fizeram a história de Juazeiro e sobretudo, da vida pessoal e religiosa do Padre Cícero. Os Enigmas de Ontem e de Hoje, foram mostrando os equívocos cometidos por aqueles que condenaram o Padim de todos os romeiros.Depois, já em Fortaleza, com o apoio do então arcebispo do Ceará, Dom Delgado, veio à luz a opera magna do Padre Azarias - O Patriarca de Juazeiro. Estava assim completa a missão de vida do Padre Azarias Sobreira: fazer da revisão da história de Juazeiro e da vida do Padre Cícero a sua razão de viver...

LOCALIZAÇÃO