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JUAZEIRO DO NORTE - CE
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Capa     23/07/2017  Edição 429


 

ESPECIAL

23/07/2017


MAIS DE 300 MIL NA ROMARIA AO JUAZEIRO

Foto:  Multidão na missa do Padim-Juazeirof

Milhares de pessoas se reuniram nessa quinta-feira (20) em uma romaria em memória à morte de Padre Cícero Romão Batista, em Juazeiro do Norte, no Ceará. Foi o 83º aniversário da morte do santo popular do NordesteUma missa foi celebrada durante a manhã na largo da Igreja do Socorro onde o corpo do religioso está sepultado. A celebração reuniu mais de 300 mil de fieis vindos de diversos Estados do Brasil. A celebração abriu o calendário oficial de romarias no Juazeiro do Norte e marcou também homenagem ao aniversário de Juazeiro do Norte, que completa 106 anos neste mês. Às 5h da manhã do dia 20, as ruas de Juazeiro do Norte (CE) já estavam lotadas de peregrinos de diversas partes do Brasil. Dona Maria das Graças da Conceição, aposentada, veio de Alagoas e viajou 12 horas de ônibus para pagar uma promessa pela cura do câncer. "Fui desenganada pelos médicos. Chegaram a falar para a minha família que eu estava morrendo. Mas me peguei com Padre Cícero e hoje estou curada, graças a Deus."A cerimônia que lembrou os 80 anos da morte de Padre Cícero começou às 6h. A missa foi transmitida ao vivo por cinco redes de televisão católicas e várias rádios. A Praça de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro e os arredores nunca estiveram tão cheios - ao todo, cerca de 300 mil fiéis, uma das maiores romarias do país. Tudo em homenagem a alguém muito próximo desse povo, o fundador de Juazeiro do Norte, carinhosamente chamado de Padim Ciço.Cícero Romão Batista foi ordenado padre, mas, posteriormente, condenado pelo Vaticano por estar envolvido em milagres não comprovados e acusado de provocar o fanatismo. Perdeu o direito de exercer a função e chegou a ser excomungado. Virou prefeito e conseguiu a independência de Juazeiro do Norte, que antes era apenas um vilarejo do Crato. E conseguiu fazer mudanças importantes na cidade, no meio do sertão miserável do começo do século 20.ona Rosinha do Ortho, aposentada, participou da missa e é uma das poucas pessoas que ainda testemunha os momentos vividos ao lado de Padre Cícero. Aos 93 anos, ela lembra que recebeu a benção do Padim Ciço diversas vezes. E, há exatos 80 anos, acompanhou o funeral do padre. "Era um mar de gente na praça. Normalmente, o pessoal pega o caixão pela alça. Mas o [do] meu Padim não, foi carregado por cima das cabeças. As mulheres choravam muito e perguntavam quem iria cuidar de nós."Atualmente, o Vaticano analisa um pedido de reabilitação de Cícero Romão Batista, que significa reconhecê-lo como padre novamente. Em seguida, pode-se entrar com o processo de beatificação e canonização do religioso. Celebração dos 83 anos da morte do Padre Cícero mostrou, mais uma vez, para o Brasil, porque Juazeiro é o maior centro do catolicismo popular da América Latina, que precisa ser reconhecido, respeitado e assim tratado pela Igreja Católica, até hoje preocupada apenas com a fortuna que rendem as grandes romarias ao Juazeiro.

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