| Fausto
da Costa Guimarães foi um romeiro que nasceu em Soledade-PB
em 19 de dezembro de 1865, filho de Imperiano José da Costa
e Felicidade Maria Guimarães. Casou-se em Catolé do
Rocha-PB, no dia 27 de março de 1894, com a senhora Januária
Henriques Guimarães, filha de Julio Mendonça e Emília
Henriques Mendonça. Na sua origem paraibana, Fausto foi criador
de gado, comerciante e funcionário público – escrivão
da Coletoria Provincial, até a proclamação da
república. Agora se sabe que, monarquista convicto, Fausto
deixou o emprego por não concordar com a mudança que
se operara no regime político do Pais. Então, ele continuou
a trabalhar no comércio, estabelecido ou viajando pelos Estados
vizinhos. Veio para Juazeiro em 1907 tornando-se a amigo do Padre
Cícero, por cuja confiança ocupou o cargo de coletor
federal. Aqui teve numerosíssima |
prole, com 18 filhos, dos quais menos da metade se criou. Soube há
poucos dias que, apesar de poucas letras, o velho Cel. Fausto deixou
escrito um volumoso material com a denominação de “Memórias
sobre o Revmo. Padre Cícero Romão Batista e o Joazeiro
e também uma parte de minha biografia”, (Começada
em 1912 a descrever até esta data, Joazeiro, 10 de Abril de
1924. Fausto da Costa Guimarães - Continua no segundo livro).
Seu neto, Fausto, que tem levado adiante o interesse de tornar público
este documento e vem providenciando a transcrição do
primeiro volume, me deu a conhecer que, com buscas nos guardados de
família, encontrou o segundo volume referido, e que ao finaldeste,
há uma indicação da existência de um terceiro,
cujo paradeiro |
está sendo verificado, mediante estórias relembradas
por membros da família e relatadas pelo pai de Fausto - o sr.
José Fausto Guimarães, ex-secretário particular
do Padre Cícero, de um certo empréstimo do qual não
houve, ainda, devolução. Este manuscrito de Fausto da
Costa Guimarães é quase um diário no qual o autor
relata a vida da cidade, seus fatos mais importantes, como os primeiros
momentos do novo município, detalha as diversas investidas
durante a sedição de 1913-1914, o relacionamento de
políticos do Estado do Ceará com Juazeiro através
das pessoas de Pe. Cícero e Floro, os visitantes frequentes
da cidade, os graves problemas da grande seca de 1915, a primeira
eleição em Joazeiro para deputados federais e senador,
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em 01.03.1918, o primeiro automóvel que chega à
cidade, em 05.09.1918, o início das obras de calçamento,
em 10.10.1919, a passagem da família do presidente João
Pessoa, em 25.11.1919, uma epidemia dizimando gado e outros
animais, em 1922, faz uma retrospectiva das comemorações
da semana santa em Joazeiro, desde 1890,1891 e 1893 (as três
primeiras) (a quarta, segundo ele, só foi acontecer em
1923 (“30 anos de abandono do clero cearense ao Joazeiro”,
refere Fausto). E assim por diante. Uma preciosidade. Agora
é |
esperar um pouco mais pois a proposta da Comissão do
Centenário, especialmente orientada pelo sub-grupo que
trata do seu programa editorial, vai na direção
de que seja este original incluído na lista de inéditos,
onde também já figuram textos de Octávio
Aires de Menezes e Amália Xavier de Oliveira. Segundo
Fausto, estes documentos, após o conhecimento público
na formatação de livro de memórias, deverão
ser devolvidos a Juazeiro do Norte para que passe a integrar
parte do seu patrimônio histórico, de cidade centenária..
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